dezembro 21st, 2017 at 11:20 by admin

“Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. Enquanto adoravam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: ‘Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado’. Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram.
Enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre. Chegando em Salamina, proclamaram a palavra de Deus nas sinagogas judaicas. João estava com eles como auxiliar”
Atos 13:1-5.

A vocação missionária é tema para alguma confusão. Tão espiritualizada e idealizada às vezes, deixa de ser prática e produtiva. Outras vezes, tão particularizada e individualizada, deixa de ser uma realização da Igreja e de Deus, passando a ser uma realização pessoal, sujeita a interesses pessoais de vaidade e status. Lucas explica didaticamente como foi a primeira vocação missionária, e estabelece um padrão elevado que podemos seguir.


[V] Veja o que o texto ensina

Lucas sabia que estava descrevendo um evento de grande importância na história cristã. O modo como detalha esse primeiro chamado e envio missionário de uma igreja local é quase didático. Ele começa descrevendo o ambiente em que a vocação missionária aconteceu. É um ambiente de atuação de muitos profetas e mestres, expositores da Palavra de Deus, que se dedicavam tanto à sua aplicação prática, os profetas, como ao seu conhecimento fundamental, os mestres. Então não é traçada uma distinção clara entre eles. Também é um ambiente de serviço, aqui traduzido como adoração, e de jejum, onde os crentes deixavam seus interesses mais básicos, para estarem à disposição de Deus.

Nesse contexto de conhecimento da Palavra e de disposição para o serviço, a igreja ouviu o chamado do Espírito Santo. A igreja servia, os cinco líderes trabalhavam, mas agora o Espírito Santo chamava dois deles de modo pessoal um trabalho específico, Gr. ergon, para uma realização determinada, por isso a igreja deveria separá-los. A palavra usada, o Gr. aphorizó, significa apartar das fronteiras, ou seja, colocar além dos limites. Então a igreja orou e jejuou ainda mais, quando possivelmente ouviu a direção do Espírito Santo para onde e como deveria separar seus líderes.

É interessante que os dois termos usados em seguida e traduzidos como enviar, tem significados bem diferentes. Que a igreja enviou é o Gr. apoluó, que significa mais apropriadamente ‘liberar’. Que eles foram enviados pelo Espírito Santo é o Gr. ekpempó, que significa ‘enviar para fora’.

Finalmente temos três peculiaridades que nos dão o sabor do cotidiano dessa vocação e envio, em que o serviço dos crentes coopera com o sobrenatural do Espírito. Eles foram para Chipre, de onde o líder Barnabé era natural (At 4:36), ilha em que já havia alguma evangelização dos dispersos após a perseguição inicial em Jerusalém (At 11:19). Eles começaram evangelizando nas sinagogas, estratégia básica bastante usada no início da igreja. Eles levaram como ajudante a João Marcos, muito jovem ainda e parente de Barnabé.

  • Como Lucas descreve a liderança da Igreja de Antioquia? “Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo”.
  • Em que situação e de que modo foi estabelecida a vocação missionária de Barnabé e Saulo? “Enquanto adoravam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: ‘Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado’”.
  • Quem enviou Barnabé e Saulo e como foram enviados? “Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram. Enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre”.
  • Que obra eles fizeram sob o envio do Espírito Santo e qual a função de João nesse projeto? “Chegando em Salamina, proclamaram a palavra de Deus nas sinagogas judaicas. João estava com eles como auxiliar”.

[O] Ouça o que o texto promete
Lucas pintou o belíssimo quadro de uma igreja saudável. Antioquia tinha uma igreja guiada dentro da exposição da Palavra de Deus. Não apenas no conhecimento dos mestres, mas também na prática dos profetas. O acordo entre eles era tão firme que nem se distinguia os limites entre uns e outros. Aquela não era uma igreja de espectadores, mas de um povo dedicado a servir ao Senhor. Eles estavam dispostos para o trabalho, prontos para fazer a vontade de Deus, e essa era sua verdadeira adoração. Os jejuns mostram que tal disposição superava até mesmo suas necessidades pessoais. Em um ambiente assim, ouviam a voz do Espírito Santo.

Lucas estabelece um padrão, um ideal de vocação missionária. Em uma igreja saudável, firmemente liderada pela Palavra de Deus, o chamado para ir além dos limites locais não é individualista, não é egocêntrico, não é obscuro. O Espírito Santo fala com a igreja sobre o envio de seus membros mais bem integrados, seus líderes mais frutíferos, então a igreja busca orientação em oração e libera, abençoando e apoiando aqueles que foram chamados. Esses, seguem na direção do Espírito Santo, para ir aonde e afazer aquilo que o Espírito quer. Não há dúvida de que isso vai se repetir. Em uma igreja pronta a servir, guiada pela Palavra e dedicada à oração, o Espírito Santo continuará separando crentes para serem testemunhas de Cristo até os confins da terra.

[S] Sinta o que o texto ordena
Não se vê individualismo nessa vocação missionária. Os interesses de Barnabé, Paulo, dos outros líderes ou dos crentes de Antioquia, e mesmo os interesses do jovem João Marcos não são considerados aqui. Todos eles estão a serviço do Senhor, são todos servos, e o Espírito Santo dispõe deles como quer. Ore para que sua igreja e você mesmo coloquem seus interesses pessoais de lado, e a obra missionária não terá limites!

O que impulsionou a obra missionária a partir de Antioquia foi a Palavra de Deus e o que os missionários daquela igreja foram fazer foi proclamar a Palavra de Deus. Isso é missões! Ore por mais da Bíblia em sua vida e na vida de sua Igreja.

É interessante que a Igreja de Antioquia tenha ‘enviado’, isto é, liberado dois de seus principais líderes para irem para fora de seus limites. Nem sempre as igrejas querem enviar o seu melhor para missões. Ore para que sua igreja e você mesmo estejam prontos a atender ao chamado do Espírito Santo quando ele pedir o que vocês têm de melhor para ser enviado para além de seus limites.

Assim começou a primeira viagem missionária da história. O Evangelho teve alguma expansão com a perseguição em Jerusalém, estava em Antioquia e de alguma forma chegara até Chipre, mas foi aqui que o Reino de Deus começou a se expandir verdadeiramente. Ore para que sua igreja possa participar desse grandioso plano do Espírito Santo, de enviar seus líderes mais atuantes para fazer discípulos onde ele enviar, no mundo todo.

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Este estudo bíblico é parte integrante da série de trinta devocionais preparados para a Escola de Liderança da AMME para Adolescentes e Jovens – Pacificadores, na edição #PACI18, de 7 a 21 de janeiro de 2018 em Ibiúna – SP. Veja a lista de textos em

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