dezembro 28th, 2017 at 14:13 by admin

“Novamente Jesus começou a ensinar à beira-mar. Reuniu-se ao seu redor uma multidão tão grande que ele teve que entrar num barco e assentar-se nele. O barco estava no mar, enquanto todo o povo ficava na beira da praia. Ele lhes ensinava muitas coisas por parábolas, dizendo em seu ensino: ‘Ouçam! O semeador saiu a semear. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho, e as aves vieram e a comeram. Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; e logo brotou, porque a terra não era profunda. Mas quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz. Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas, de forma que ela não deu fruto. Outra ainda caiu em boa terra, germinou, cresceu e deu boa colheita, a trinta, sessenta e até cem por um’.
A seguir Jesus acrescentou: ‘Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!’”
Marcos 4:1-9.

Muitas vezes os crentes se preocupam demasiado com a aceitação de sua pregação, de sua fé ou até de si mesmos. Há até muitos que estão dispostos a se adaptarem e ao seu discurso, a negociarem suas crenças e valores para serem aceitos pelo mundo. O medo de serem rejeitados os leva a perverter a fé e a pregação. O que Jesus ensinou sobre isso? Neste texto vamos aprender sobre aceitação e rejeição da Palavra que pregamos e da fé que temos.

[V] Veja o que o texto ensina
Considerando as informações que também observamos nos textos paralelos (Mt 13:1-23; Lc 8:1-15), Jesus estava no meio de seu ministério. Depois de um ano e meio percorrendo a Judéia, Samaria e Galileia, sua popularidade atraiu a inimizade dos líderes judeus e enorme popularidade entre o povo. A partir daquele momento notamos duas grandes mudanças no ministério de Jesus: procurou lugares abertos e amplos para ensinar as multidões; passou a usar parábolas, isto é, comparações, para transmitir seu ensino. Tais comparações não têm a intenção de dar um significado para cada elemento; elas contêm um ensino geral. Elas também são entendidas de modo diferente pelas pessoas, considerando o conhecimento que elas já têm.

A primeira palavra desse ensino e a última são o verbo ouvir no presente do imperativo, primeiro na segunda pessoa do singular e depois na terceira pessoa do singular. Isso dá uma dimensão da importância do que Jesus está ensinando, o que é reforçado pelo próprio Senhor no verso 13: “Então Jesus lhes perguntou: ‘Vocês não entendem esta parábola? Como, então, compreenderão todas as outras parábolas?’” Mc 4:13. Essa é a primeira e mais básica parábola de Jesus, uma chave para entender todo o mais que ele ensina. De fato, Jesus cita Isaías 6:9,10 para mostrar que aquela história se referia à possibilidade de conversão e salvação ou de eterna perdição. A história compara a agricultura do tempo de Jesus, quando se arava depois de semear, para descrever a pregação da Palavra.

As parábolas não são alegorias. Não devemos procurar um significado específico para cada elemento da comparação. Embora Jesus fale dos quatro terrenos e tenha uma descrição para cada um na explicação que se segue, o que aprendemos é que o ministério de Jesus consistia em pregar a Palavra de Deus, mas nem todos produziriam resultado depois de o ouvirem. Jesus estava ensinando que é assim que funciona o Reino de Deus, pela pregação à qual apenas uma fração dos ouvintes reagirão. Se os discípulos entendessem isso, não continuariam esperando um Reino material e político, como os outros judeus, nem achariam que todas as pessoas estariam sob o Reino de Deus.

  • Como Jesus resolveu o seu ministério quando já não era mais bem-vindo nas sinagogas e quando sua popularidade atraia grandes multidões? “Novamente Jesus começou a ensinar à beira-mar. Reuniu-se ao seu redor uma multidão tão grande que ele teve que entrar num barco e assentar-se nele. O barco estava no mar, enquanto todo o povo ficava na beira da praia”.
  • Além de ensinar ao ar livre, qual foi a grande mudança que Jesus estabeleceu em sua didática? “Ele lhes ensinava muitas coisas por parábolas, dizendo em seu ensino”.
  • Evitando a alegorização, isto é, dar um significado específico a cada elemento da parábola, qual o sentido geral dessa história contada por Jesus? “‘Ouçam! O semeador saiu a semear. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho, e as aves vieram e a comeram. Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; e logo brotou, porque a terra não era profunda. Mas quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz. Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas, de forma que ela não deu fruto. Outra ainda caiu em boa terra, germinou, cresceu e deu boa colheita, a trinta, sessenta e até cem por um’”.
  • Como a última frase se relaciona com a primeira palavra desse ensino? “A seguir Jesus acrescentou: ‘Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!’”


[O] Ouça o que o texto promete

Ao ouvir essa parábola os discípulos deveriam ter entendido que a maioria das pessoas que ouvissem a pregação do Reino de Deus não seria transformada por ela, não produziria frutos. Mas alguns o produziriam. Independente disso, a Palavra de Deus deveria ser pregada a todos, sem discriminação, sem exceção. No final de seu ministério, de acordo com o relato de João, Jesus foi ainda mais explícito em dizer isso: “Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa” Jo 15:20.

[S] Sinta o que o texto ordena
Jesus estava cercado por multidões que acreditavam em um Messias secular, que se manifestaria com grande poder temporal e restauraria a independência política de Israel. Esse texto nos ensina que o poder do Reino de Deus está na pregação da Palavra. Ore por você e pelos seus irmãos, para que estejam livres de uma visão materialista e imediatista do Reino de Deus.

Esse texto aponta para os frutos. Essa deve ser a intenção de quem prega. Porém, nem todos os ouvintes produzirão frutos, e nem todos que produzirem o farão da mesma forma. Haverão frutos, certamente, e deveríamos nos preocupar se não houverem, mas não controlamos os frutos. Nossa missão é pregar! Ore para que você e sua igreja estejam comprometidos com a pregação do Evangelho a toda a criatura, sem exceção.

O cenário desse texto é de Jesus assentado em um barco por causa da grande multidão que o assediava com suas necessidades. O ministério cristão exige uma grande doação pessoal. Ore para que os crentes em sua igreja, inclusive você, estejam dispostos a se doarem para a evangelização.

O Reino de Deus cresce por uma espécie de auto seleção. Como evangelistas, não decidimos quem deve receber a Palavra de Deus e quem não deve. Nós pregamos a todos e quem tem ouvidos para ouvir, ouve. Ore por sua igreja, para que sejam capazes de pregar a todos até os confins da terra.
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Este estudo bíblico é parte integrante da série de trinta devocionais preparados para a Escola de Liderança da AMME para Adolescentes e Jovens – Pacificadores, na edição #PACI18, de 7 a 21 de janeiro de 2018 em Ibiúna – SP. Veja a lista de textos em

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