dezembro 31st, 2017 at 14:02 by admin

“Nenhuma árvore boa dá fruto ruim, nenhuma árvore ruim dá fruto bom. Toda árvore é reconhecida por seus frutos. Ninguém colhe figos de espinheiros, nem uvas de ervas daninhas. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração”.
“Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo?”
Lucas 6:43-45+46

É possível enfatizar erradamente a Graça de Deus em Cristo desincumbindo os crentes da obediência? Infelizmente parece ser o que acontece em nossos dias: há crentes tão ‘conscientes’ da Graça, que já não vivem em acordo com a Lei. Graça que não produz os frutos da obediência é desgraça. Como Jesus ensinou, “Se alguém me ama, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada” Jo 14:23. Desde o Antigo e ao longo de todo o Novo Testamento, amor ou graça e obediência estão associados. Esse texto ensina isso, sermos verdadeiros discípulos de Jesus.

[V] Veja o que o texto ensina
Mateus inclui o ensino sobre os frutos da árvore boa e da árvore ruim no Sermão do Monte, depois o inclui também na repreensão aos fariseus mentirosos. Nas duas referências de Mateus, o contexto e a aplicação do ensino são diferentes. Em Lucas, esse ensino está incluído no Sermão da Planície (Lc 6:17ss). Em tempos de imprensa, tele transmissões, gravação de áudio e vídeo, Internet, não nos damos conta de que Jesus precisava repetir seus ensinos para cada nova audiência. Desse modo, cada uma de suas parábolas podem ter sido repetidas dezenas de vezes, e em contextos diferentes. Desse modo, é mais provável que o Sermão do Monte em Mateus e o Sermão da Planície em Lucas se refiram a datas, locais e públicos diversos, embora o conteúdo mantenha similaridades.

No Sermão da Planície, Jesus está falando a discípulos que já são apóstolos, discípulos que ainda estão sendo treinados e uma multidão de pessoas interessadas apenas em obter algum benefício particular de cura e libertação. Por isso, o tema central do sermão parece ser ‘as características de um verdadeiro discípulo’.

No texto selecionado, a primeira parábola se refere a árvores e frutos usando duas vezes em oposição os adjetivos Gr. kalos e sapros, respectivamente, bom e ruim. A definição dos adjetivos e a denominação de figos e uvas como frutos bons ou espinheiros e ervas daninhas como árvores ruins, aponta para a utilidade. No semiárido os agricultores não se dão ao trabalho e ao custo de manter plantas ornamentais, cada árvore em uma propriedade precisa produzir bons frutos. Esse princípio é básico para interpretar vários ensinos de Jesus. Ainda que ‘fruto’ aqui se refira às palavras dos discípulos, como na parábola seguinte, a questão é se tais palavras são úteis, se são aproveitáveis pelo Senhor ou não. Isso depende da natureza da pessoa, de sua qualidade intrínseca.

A segunda parábola apresenta homens tirando coisas de sua dispensa e usa três vezes cada um dos dois adjetivos Gr. agathos e ponéros, respectivamente benigno e maligno. Embora se refiram também ao caráter das coisas que adjetivam, estes dois últimos adjetivos têm a carga moral enfatizada. Mais do que naturalmente bom ou mal, é moralmente bom ou mal. A lição que Jesus tira da parábola é que as palavras procedem do pensamento de quem fala, seja esse raciocínio moral ou imoral. Então, enquanto a primeira parábola tratou da utilidade do que o discípulo produz, a segunda parábola destaca a santidade. Isso é ainda mais enfático quando percebemos que Gr. agathos é mais frequentemente utilizado para a bondade divina, produzida por Deus.

Incluindo o anúncio do próximo ensino, verificamos que o produto que se requer dos discípulos depende de seu caráter, se são bons ou maus. Contudo, o caráter depende da obediência. Mateus inclui a mesma ideia quando relata: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” Mt 7:21. Lá, o Pai deve ser obedecido, aqui são as instruções de Jesus que devem ser atendidas, até porque ele ensina o que o Pai quer.

  • Qual a primeira parábola nesse texto e que significado Jesus dá a fruto bom e fruto ruim? “Nenhuma árvore boa dá fruto ruim, nenhuma árvore ruim dá fruto bom. Toda árvore é reconhecida por seus frutos. Ninguém colhe figos de espinheiros, nem uvas de ervas daninhas”.
  • Qual a segunda parábola nesse texto, que aplicação Jesus faz desse ensino aos seus ouvintes e como essa explicação se refere também à primeira parábola? “O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração”.
  • Como o anúncio de um novo ensino liga as duas parábolas desse texto com a parábola dupla do texto seguinte? “Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo?”

[O] Ouça o que o texto promete
Esse texto associa o resultado das ações e pensamentos dos discípulos à qualidade de seu caráter. Somos úteis e santos se somos bons, somos inúteis e impróprios se somos maus. Se por um lado isso nos coloca em total dependência da Palavra de Deus que transforma o nosso caráter, esse texto nos chama à obediência dessa mesma Palavra, transmitindo a esperança de que, em Cristo, desejaremos viver conforme ele ordena. Assim, somos abençoados com uma boa disposição divina que não nos desobriga da Lei, mas nos confere o divino poder de obedecer em tudo à vontade de Deus em Cristo.

[S] Sinta o que o texto ordena
O contexto dessa passagem, o ambiente do Sermão da Planície, mostra pessoas buscando em Jesus apenas a cura e a libertação para suas necessidades imediatas, enquanto Jesus oferece muito mais do que isso. Ore para que você e os crentes em sua igreja possam deixar de lado as preocupações dessa vida e atentem para o muito mais que Jesus está oferecendo.

O texto chama a nossa atenção para o fato de que não importa quão religiosa seja uma pessoa, os verdadeiros discípulos de Cristo são valorizados pelos resultados que produzem, se são obedientes ao que Jesus ordenou ou se são desobedientes. Ore para que cada crente em sua igreja aprenda a avaliar sua fé a partir da obediência.

Dar frutos e tirar coisas da dispensa são atos de generosidade. Isso exige uma disposição espiritual para dar e é muito diferente de cercar Jesus em busca da satisfação de necessidades pessoais. Ore por si mesmo e por sua igreja para que tenham um coração generoso, disposto a entregar liberalmente aquilo que agrada a Deus.

A Palavra de Deus que transforma o nosso caráter é a mesma Palavra que o caráter transformado se dispõe a obedecer. Nossa fé se resume em reconhecer o Senhorio de Cristo, mas a fé só é viva quando o reconhecimento é seguido por obras de verdadeira obediência. Esse é o Evangelho do Reino que transforma as pessoas.

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Este estudo bíblico é parte integrante da série de trinta devocionais preparados para a Escola de Liderança da AMME para Adolescentes e Jovens – Pacificadores, na edição #PACI18, de 7 a 21 de janeiro de 2018 em Ibiúna – SP. Veja a lista de textos em

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