janeiro 1st, 2018 at 15:29 by admin

“Então contou esta parábola: “Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Foi procurar fruto nela, e não achou nenhum. Por isso disse ao que cuidava da vinha: ‘Já faz três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não acho. Corte-a! Por que deixá-la inutilizar a terra?’
Respondeu o homem: ‘Senhor, deixe-a por mais um ano, e eu cavarei ao redor dela e a adubarei. Se der fruto no ano que vem, muito bem! Se não, corte-a’”
Lucas 13:6-9.

É espantoso como muitas pessoas que se demoram na Igreja ainda não tem uma perspectiva eternal. Elas se angustiam ao pensar na vida dentro dos limites do tempo nessa Terra. A morte lhes parece um paredão e tratam a vida eterna como se fosse uma ilusão. Ainda não alcançaram a fé de que nesta Terra e além, a vida (ou a morte) simplesmente continuam indefinidamente. Então, o tempo que recebemos de Deus nessa terra é um sinal da paciência do Eterno. Ele deseja que nos arrependamos e espera que nosso arrependimento produza frutos. É esse o tema do texto que lemos.

[V] Veja o que o texto ensina
No final do capítulo 12 Jesus defende a conciliação entre as pessoas como um meio superior à justiça institucional, descrevendo o rigor do juízo humano. Talvez por isso alguns de seus ouvintes lembraram um caso em que o Governador Pilatos teria executado alguns conterrâneos de Jesus enquanto ofereciam sacrifício. As referências históricas sobre Pilatos dão conta de que era homem muito violento e a execução de pessoas enquanto adoravam confirma isso. Misturar sangue humano ao sacrifício que ofereciam, além da crueldade, aumenta a profanação já cometida na provável invasão de soldados pagãos na área exclusiva do Templo.

Os judeus pensavam que situações assim, crimes e acidentes que finalizavam a vida terrena precipitadamente, representavam o juízo divino para pessoas que seriam, de algum modo, merecedoras disso. Jesus confrontou esse pensamento de três formas: Primeiro, tomou como certo que todos são pecadores; segundo, ultrapassou a ideia da morte precipitada como única punição para o pecado; terceiro, definiu o arrependimento e não o perecimento como a ênfase do tema: “Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros, por terem sofrido dessa maneira? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão” Lc 13:2,3. Jesus ainda corroborou esse pensamento contando a história de um acidente que matou 18 pessoas para reafirmar a ideia.

É nesse contexto que Jesus contou a parábola da figueira. Vinha e figueira foram, junto com a oliveira, os principais arbustos cultivados nos tempos bíblicos e, igualmente, símbolos da nação de Israel. Nessa passagem, a figueira plantada na vinha mostra que estava em terreno fértil. Nessa história vemos repetido o princípio de utilidade do terreno em uma agricultura no semiárido, onde não se desperdiçam recursos com plantas decorativas. Também, o fato de o dono ter procurado frutos por três anos e nada haver encontrado, indica que a árvore estava viva e produzindo folhas depois da estação seca.

Sabemos que uma parábola assim não deve ser alegorizada, portanto, não cabe aqui identificar o dono e o empregado, ou ainda os três anos, como elementos definidos da vida real. Tomando a história como um todo, dentro do contexto em que ela foi contada, a lição que aprendemos é que a demora no julgamento do pecado comum a todos representa a paciência divina em esperar que as pessoas se arrependam, isto é, que mudem de vida.

  • Em que contexto Jesus contou essa parábola e quais elementos da cosmovisão judaica enfrentou aqui? “Então contou esta parábola”.
  • O que se pode dizer da figueira nessa história, quais eram as chances de ela dar fruto? “Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Foi procurar fruto nela, e não achou nenhum. Por isso disse ao que cuidava da vinha: ‘Já faz três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não acho”.
  • Que razão o dono da terra deu para cortar aquela figueira estéril? “Corte-a! Por que deixá-la inutilizar a terra?’”.
  • Qual foi a proposta do agricultor e qual a sua conclusão, mesmo propondo mais um período de espera? “Respondeu o homem: ‘Senhor, deixe-a por mais um ano, e eu cavarei ao redor dela e a adubarei. Se der fruto no ano que vem, muito bem! Se não, corte-a’”.

[O] Ouça o que o texto promete
Esse texto apresenta a maravilhosa promessa de que nosso Deus é paciente enquanto espera por nossos frutos. Por três anos o dono procurou frutos e por mais um ano se propôs a investir em uma figueira estéril. Essa parábola nos faz pensar que não a morte deve ser referência para o juízo de Deus, mas cada dia em que continuamos vivos. Deus não se apressa tanto em punir a nossa falta de resultados, como deseja os frutos do nosso arrependimento, da mudança de mente, de um novo modo de ver e priorizar as coisas.

Somos chamados a uma perspectiva eterna, onde permaneceremos no pecado ou no arrependimento para sempre. Isso se demonstrará pelos frutos que produziremos ou deixaremos de produzir. Contudo não é para punir a nossa esterilidade que Deus atenta, mas para esperar e ajudar a produzirmos os frutos do arrependimento. Esses frutos que aparecem em nossa própria conduta e que também influenciam a vida de outras pessoas, são eles que nos garantem um lugar eterno na vinha divina. A graça de Deus se manifesta em sua paciência, nos recursos que proveu e no lugar que nos deu antes de darmos frutos. Mas essa Graça não admite a falta de resultado, não perdura indefinidamente.

[S] Sinta o que o texto ordena
Jesus combateu o fatalismo típico do judaísmo, a ênfase no juízo divino. É nos frutos e não na punição que Deus está interessado. Ore para que você e os crentes em sua igreja tenham a mesma visão positiva que Deus tem, que considerem o tempo que Deus nos dá como oportunidade para frutificar e não vivam aterrorizados pela punição.

Esse texto é sobre dar fruto. É para isso que Jesus chamou a atenção de seus ouvintes. Eles deviam se arrepender e demonstrar essa mudança de mente com uma conduta coerente. Ore para que você e os crentes em sua igreja estejam prontos a oferecer a Deus os frutos dignos de arrependimento, tanto em uma vida santa como na influência sobre outros pela pregação do Evangelho: os frutos da santificação e os frutos da evangelização.

Aqueles judeus que contaram parecem ter se excluído do rol dos pecadores. Não se consideraram indignos já que nenhum mal maior lhes tinha ocorrido. Esse sentimento de exclusividade os impedia de se verem como pecadores que deviam se arrepender, como figueira estéril que precisava frutificar. Ore para que você e sua igreja estejam livres de pensamentos exclusivistas; que vocês se humilhem até se considerarem como qualquer pessoa que Deus chama ao arrependimento.

São os frutos de uma mente transformada que nos dão lugar na plantação de Deus. Ore por uma fé frutífera em sua vida, na vida dos irmãos em sua igreja e na vida daqueles que ouvem sua pregação.

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Este estudo bíblico é parte integrante da série de trinta devocionais preparados para a Escola de Liderança da AMME para Adolescentes e Jovens – Pacificadores, na edição #PACI18, de 7 a 21 de janeiro de 2018 em Ibiúna – SP. Veja a lista de textos em

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